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Mudança de escola (parte 1)

  • 2 de out. de 2015
  • 1 min de leitura

"... após aquele dia, resolvi terminantemente não ir mais à escola. Acho que por uma mistura de raiva e medo de precisar voltar da escola pra casa sozinho e levar outra surra, não me lembro ao certo, mas, fiz uma greve geral contra ir à escola...".


"... acontece que meus pais não respeitaram meu direito de greve, se é que algum moleque tem, e, a partir de então, diariamente, após meu pai me deixar no portão da escola e me dar um tchau, enquanto cantávamos a primeira estrofe do Hino Nacional, eu me debruçava em prantos. Não contente em estragar aqueles momentos solenes e patrióticos, eu corria em direção às altas grades eletrificadas do Alcatraz, buscando alguma brecha pra cair fora...".


"... pouco importava se nos intervalos, nas idas ao banheiro, enfim, cada momento era uma oportunidade pra eu tentar fugir, e, a cada corrida minha, Seu Bolota, avô de Jacolino, e inspetor do colégio; homem parrudo e completamente careca, estava no meu encalço...".


"... foram inúmeras as vezes em que aquele homenzarrão foi ao chão como um saco de batatas, depois de alguns dribles de corpo que eu aprendi a usar para escapar das suas mãos grandes e peludas de urso....".


"... finalmente, o colégio me expulsou, com os devidos aplausos do Seu Bolota, que bem mais tarde morreu esmagado na pista por um caminhão enorme, enquanto ia trabalhar dirigindo seu adorado fusca alaranjado. Não é que o homem cruzou a rodovia sem seus óculos, acreditam? ...".


 
 
 

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