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Que mancada, vó!

  • 30 de set. de 2015
  • 2 min de leitura

“... havíamos brincado bastante de esconde-esconde naquela manhã, e, com a chegada da fome, quase ao mesmo tempo ouvimos os berros de nossas mães: - Venha almoçar filho!...”.


“... pela primeira vez tinha aparecido para brincar conosco, o menino Xandoca, primo apenas de Jacolino, e, como havia gostado de brincar, disse-nos que voltaria depois do almoço para continuarmos com o esconde-esconde. Nisso, maliciosamente pensei que poderíamos aprontar uma grande surpresa para Xandoca, ou seja, criaríamos uma armadilha para ele cair, tipo as feitas nos filmes de selvas, onde um buraco era cavado e coberto de galhos e folhas, de modo que a presa jamais pudesse desconfiar que havia um buraco no seu caminho...”.


- Já vou mãe! Já vou, só mais um pouquinho! – Era a resposta mais usada quando os pais nos chamavam.

- Então, o que vocês acham de fazermos uma armadilha para o Xandoca? – perguntei aos meus primos.

- Como? – se interessou Regica.

- Ah, igual aos filmes – respondi.

- Vamos cavar um buraco pra ele cair quando ele estiver se escondendo, não é legal?

- Beleza! – sorriu perversamente Regica, enquanto que Jacolino franzia a testa com certa preocupação, pois Xandoca era seu primo e Jacolino se borrava de medo de Xandoca.

- E, onde ficará a armadilha, Luisinho? – quis saber Regica, demonstrando impaciência enquanto coçava a cabeça.

- Que tal debaixo do limoeiro da vó?


“... antes mesmo de almoçarmos, pegamos uma pá e uma enxada velhas que ficavam no depósito de tranqueiras da família, e começamos a cavar. Abrimos um buraco razoável, e, com sorte, Xandoca cairia nele, ao menos, uma de suas pernas ficaria presa e o atrapalharia de se esconder ou de nos procurar. Feito o buraco, cuidadosamente espalhamos pequenos galhos, folhas e matos sobre o buraco. A armadilha ficou muito bem feita e não havia como o condenado Xandoca desconfiar de algo. Terminado nosso trabalho, corremos para almoçar, ansiosos pela chegada da tarde e de nossa vítima...”.


“... enquanto eu rapidamente almoçava, pensando em dar uma última checada na armadilha, de repente, ouvi um grito e soltei meus talheres no prato – o que houve? – pensei alto...”.


- Quem gritou? – perguntou minha mãe.

Era a voz da vó? – pensei assustado. Não podia ser...


“... enquanto meu pai e alguns dos meus tios correram na direção do grito, eu e meus primos nos olhamos com medo, pendurados nas janelas de nossas casas que ficavam uma ao lado da outra. E, então, para nossa surpresa, minha vó surgiu mancando. Como todos voltaram a atenção pra vó, saímos de fininho e nos escondemos atrás do galinheiro, mas, não foi por muito tempo, pois as próprias galinhas nos entregaram...”.


- Traidoras de uma figa! – usamos nossa “telepatia”.


“... que mancada a nossa! – Dá pra imaginar o que aconteceu... A vó tinha ido colher uns limões para fazer um suco para o tio Juca e pisou na nossa armadilha! Sinceramente, acho que minha vó nunca se recuperou totalmente do pé que acabou quebrando naquela queda, pois, sempre mancava, principalmente quando ia fazer compras na feirinha da cidade. Depois dessa “tragédia”, resolvemos dar um tempo nas armadilhas e nos concentramos em aprender a jogar futebol...”.


 
 
 

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