Luto na vila...
- 29 de set. de 2015
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"... jamais imaginávamos que, dois meses depois, nossa vila seria afetada por outra tragédia. Pra mim, milhões de vezes pior do que aquela primeira enchente de janeiro.
"... Silvana...".
"... uma boneca radiante que desfilava pelas nossas ruas todas as manhãs com destino à escola. Eu a via todas as manhãs! Seu sorriso tímido e puro saudava a todos nós da vila, como se desejasse de todo o seu coraçãozinho que tivéssemos um dia lindo e ensolarado!
E, como não ter um dia incrível depois de vê-la de manhãzinha?
Todos os dias começavam mais cheios de vida por causa daquele rostinho reluzente e encantador da pequena menina, ao desfilar pela Rua Ferdinando Lourenço. Ela tinha dois anos a mais do que eu; era irmã da namorada do meu tio Juca – Liana. Eu e Silvana nunca trocamos palavras, apenas olhares tímidos e sorrisinhos despretensiosos. Ela era naturalmente simpática, doce e cheia de vida. Não era preciso falar com ela pra perceber a incrível garota que era! A grande mulher que seria...".
"... mas nunca chegou a ser...".
"... naquele domingo de tardezinha, naquele trevo tão perigoso na entrada da nossa cidade, Silvana partiu... E, foi com sua mãe...".
"... não me lembro exatamente como foi o acidente. Porém, não me esqueço de ficar por horas imóvel em frente à casa de Silvana. Haviam muitas e muitas pessoas velando seu pequenino corpo, ao lado de sua mãe. A casa de Silvana ficava no alto de um morro. Lá embaixo, eu, sozinho, confuso, arrasado e perplexo, sentado no meio fio, olhava pra cima na direção da sua casa...".
"... ela não desceria mais aquelas escadas?
Eu não a veria mais naquelas manhãs?
Aqueles olhinhos azuis, aquele cabelinho liso e louro... Pra onde iriam?
Continuei a olhar pra cima. Acima da sua casa. Muito além do seu corpo. Olhei pra aquela noite de poucas estrelas.
Talvez ela surgisse lá em cima! – pensei esperançoso.
A vila estava encharcada...de lágrimas...
Adeus, Silvana...".


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