top of page

Pedaladas!

  • 28 de set. de 2015
  • 2 min de leitura

"... aqui meu coração quase para, pois as lembranças de quem me ensinou a pedalar são muito fortes e especiais. Andreia! Ela se chamava Andreia! Isso mesmo meus amigos, uma menina me ensinou quase tudo que sei sobre o ciclismo. Andreia, cabelos ruivos e lisos, olhos azuis de diamante, de sorriso constante como uma brisa fresca no pôr-do-sol litorâneo. Ela era gentil, sensível e angelicalmente linda. Um rostinho escultural, uma combinaçãozinha entre Audrey Hepburn, que ainda é chamada em Hollywood de eterna Bonequinha de Luxo, Jennifer Garner, uma atriz norte-americana de um sorriso arrebatador e a bela Scarlett Johansson, uma atriz, cantora e modelo americana. Enfim, Andreia era uma menina de parar qualquer jogo...".


"... pois bem, ela e sua família chegaram de uma cidade distante pra morarem bem ao lado do nosso terreno. Ela chegou em dezembro; era um verão flamejante, como sempre. Naquele sábado de manhã eu brincava com meu arco de bambu, atirando flechas nas bananeiras, então um caminhão de mudança apareceu, algo que já tinha acontecido muitas vezes. A casa que Andreia viria a morar já havia sido habitada por outras famílias. Então, era somente mais uma família chegando em nossa vila. Entre a correria de meia dúzia de homens carregando as mesmas tralhas de todas as mudanças: geladeira, fogão, sofá, etc., eis que indiferente àquela agitação, uma menina desfila, saindo por trás do caminhão, com uma bicicleta azul da Caloi...".


"... joguei meu arco e flechas no chão – quem precisava daquilo naquele momento?...".


"...assim, curiosamente e timidamente sentei no muro baixo da frente do nosso lote e fiquei paralisado com os encantos daquele anjo sobre rodas! Apesar da minha sempre incômoda timidez, foi relativamente fácil iniciar amizade com aquela menina. Além de brincarmos bastante de “casinha”, como “marido” e “mulher”, com a participação enjoada do pentelho do irmão mais novo dela – André, como nosso filho, a paixão pelas pedaladas foi o que mais nos aproximou. Antes disso, eu precisava aprender a andar de bike. Eu já havia tentado fazer isso sozinho na bicicleta Peugeot enorme de Carl, um antigo inquilino da minha vó, mas não conseguia alcançar os pedais. Felizmente, Andreia foi muito paciente comigo, apesar que, mesmo pedalando como um bêbado, ziguezagueando pelas ruas e pelo nosso quintal, eu nunca cheguei a cair e muito menos arranhar a bicicleta dela. Lembro daquelas tardes nas quais eu e Andreia nos revezávamos descendo algumas ruazinhas tranquilas sem apertarmos o freio, apenas sentindo o vento na nossa cara. Era como se pedalássemos entre os girassóis da Toscana, na Itália...".


"...se Andreia foi o que costumam dizer de “primeiro amor de infância”, acho que não poderia ter sido melhor. Infelizmente, após alguns poucos anos morando na Vila Brejo, ela pedalou pra longe com sua família e nunca mais andamos de bicicleta nem brincamos de marido e mulher. E depois de décadas, ainda me pergunto: - Onde aquela menina estará pedalando?...".


 
 
 

Comentários


bottom of page