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O "Pomar Assombrado"

  • 25 de set. de 2015
  • 3 min de leitura

“...a vila toda sabia que por detrás daquele imenso muro da Dona Chica, havia o misterioso “Pomar Assombrado”, entretanto, nem mesmo o Jornal Brejeiro ou o Fantástico, conseguiram fazer alguma reportagem sobre o lugar. Nem mesmo o policial Xavier, o único da cidade, teria coragem de botar os pés na propriedade da Dona Chica. Isso porque o pomar era realmente assombrado! Não era lenda, não! Bastava você encostar os ouvidos naquela muralha e ficar em silêncio... De repente, umas vozes estranhas começavam e em seguida as gargalhadas tipo de bruxas! Não dava pra entender uma só palavra do outro lado, mas as vozes iam chegando cada vez mais perto... mais perto... e então... você sentia que alguém estava te observando de cima do muro, ou pior, que tinha alguém atrás de você porque dava pra sentir a respiração quente no seu pescoço! Em seguida, suas pernas começavam a tremer e você, ou corria ou ficava paralisado pra ser possivelmente assassinado... E aquele grito monstruoso te perseguia enquanto você se arrastava no meio do mato: - QUEM É QUE ESTÁ SUBINDO NO MEU MURO???????...”.


“...alguns adultos da vila costumavam dizer que aquelas vozes que escutávamos, eram apenas efeitos sonoros que a Dona Chica usava pra nos assustar, até porque ela morava sozinha, apesar disso, nenhum daqueles adultos sequer chegava perto do muro. Mas, pra mim, só de lembrar dele agora, Deus me proteja! Minhas pernas começam a tremer...”

“...o quintal da Dona Chica era “minado” de cachorros bravos e enormes. Além disso, Dona Chica era uma praga com o bodoque. O bodoque era um tipo de funda, uma coisa parecida com estilingue e arma letal para derrubar pestinhas, como nós, que tentassem invadir seu pomar em busca de saborosas frutas ou quaisquer tipos de curiosos. Mas, nem em sonho seria possível entrar naquele pomar com um muro daquela altura. E, pior, o muro estava cheio de cacos de vidros. Aquela velhinha era completamente insana...”

“...pelo que consta nos anais daquele nosso vilarejo, nenhuma criança jamais botou os pés naquele pomar. Já, de acordo com as lendas urbanas daquelas bandas, três garotos ousaram furtivamente adentrar naquela fortaleza, e, por lá mesmo ficaram... Foram devorados pela matilha da velhota, que lançou os restos dos meninos, num poço d´agua desativado. Eu nunca duvidei disso...”.

“...como a muralha da Dona Chica fora erguida na parte mais abandonada do terreno da Japonesa, havia muito mato, cobras, lagartos e sabe-se lá o que mais naquele canto, o que causava um pavor em qualquer carinha que inventasse chegar perto da muralha, ainda mais, ter que gritar com os queixos tremendo: - Do...Do...nana, Dona Chi...Chi...ca...ca, Dona Chica joga a bo...bo...la...”


“...nessa hora ninguém tirava sarro ou se mexia! Todos ficavam na expectativa do que a velhota faria! Algumas vezes a bola voltava intacta, pra nossa alegria. Mas, misteriosamente e horripilantemente, mais de uma dúzia de vezes, a bola retornou ensanguentada! Vermelha! Escorrendo num tom de cegar os olhos! Talvez fosse catchup, sei lá! Era o sinal pra corrermos! Nem mesmo Buscapé e Mané tinham coragem suficiente para botarem a mão naquela “bola sangrenta”. Depois que mais da metade dos covardes “picavam a mula”, eu, Sapão, Cuecão, Jetinho e outros mais curiosos do que corajosos, assistiam Buscapé e Mané cavarem um buraco e “sepultarem” a bola empurrando-a com um cabo de vassoura. Em seguida, Buscapé gritava pra Cebolão buscar a bola reserva, e aos poucos, nossas pernas iam parando de tremer. É claro que o moleque que chutou a bola pra lá, quase sempre era obrigado a comprar outra pra substituí-la, ou então, corria o risco de ser “chutado” lá para o pomar assombrado. E, se a bola ensanguentada causava um pânico total na galera, não era diferente quando a bola voltava cheia de marcas de dentes. E não eram dentes de cachorros, não! Dá pra imaginar...”


 
 
 

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